A PREMENTE NECESSIDADE DE APROVAÇÃO E RECONHECIMENTO

Verifico que talvez nunca tenha havido tanta necessidade de aprovação e reconhecimento como nos dias atuais. Acompanho pelas redes sociais a intensa procura por likes e visualizações. Existe um movimento incessante na busca por aceitação. Ao mesmo tempo, observa-se que tal concorrência por apreciação implica, às vezes, na desqualificação do outro para ganhar maior evidência. São tantas ofensas, xingamentos, calúnias, difamações, discursos de ódio... Parece que vale tudo para aparecer, ganhar visibilidade e, automaticamente, apreciação.

A carência existencial se evidencia de forma brutal. É preciso que o outro curta, compartilhe, diga o quanto é bom, inteligente e popular; ainda que isso seja ilusório, volátil, instável e fugaz. Egos inflados, alimentados por palavras vazias, quase sempre desprovidas de quaisquer fundamentos e profundidade. Que triste!

As pessoas desejam ser notadas de uma forma como nunca dantes. O celular passou a ser um aliado nessa trajetória, dando visibilidade praticamente instantânea ao ilustre desconhecido de segundos atrás. Nada como ganhar seguidores... Isso aumenta o senso de valor. A pessoa se sente importante, ainda que muitos estejam somente buscando algo para ocupar momentos ociosos. Guardadas honrosas exceções, nunca se produziu tanta cultura inútil em tão pouco tempo, e é impressionante como as pessoas se alimentam com essas produções.

O que se esconde por trás do sucesso das redes sociais? Pessoas ávidas por reconhecimento, visibilidade, aceitação. Pessoas carentes de afeição e que necessitam urgentemente de aprovação e apreciação social para se sentirem felizes. O anonimato, antes normal e corriqueiro, passa a ser sinônimo de menos valia; vez que o importante é estar em evidência.

Conseguindo galgar uma colocação atrativa, surgem os apelos constantes para manter tal posição ou sobrepuja-la, gerando um estresse e ansiedade absurdos que podem levar ao adoecimento, se é que tal necessidade de autopromoção já não seja a própria doença.

Não pensem, contudo, que toda essa evidência e notoriedade são gratuitas. Muitos creem receber pelo seu conteúdo, quando na realidade costumam pagar um preço muito maior. Recebem dinheiro, mas pagam com tempo de vida. Enquanto um bem é renovável, o outro é perecível e irrecuperável. Avalie seriamente se vale a pena subtrair de si mesmo, família e amigos, o seu bem mais precioso para alcançar uma aprovação frágil e ilusória.  

Maria Regina Canhos é psicóloga – E.mail: mariaregina.canhos@gmail.com